segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Educar os filhos

Como querer que alguém saiba de algo que nunca viu, nunca escutou ou nunca vivenciou? Daí está inerente a famosa frase que diz que não podemos exigir dos outros o que não podemos dar. Nisso também faço uma ligação entre tolerância e paciência. Devemos aceitar as limitações de cada pessoa e ajuda-las quantas vezes forem preciso.


A questão é: Os pais culpam seus filhos, reclamam, dizem não. Mas os filhos não sabem o por quê
passam
por isso. Além disso, algo que não foi ensinado não pode ser exigido. É como em uma avaliação de escola: um assunto que não foi dado em sala de aula não pode ser cobrado em uma prova.




Os pais nasceram primeiro, eles já estão cientes de algumas situações, sabem o que é certo e errado e porque é certo e errado. Os filhos vieram depois, eles não tem conhecimento sobre o mundo e muito menos se eles tem uma rotina pré-definida. O que está fora dessa rotina, o que é diferente para eles, será desconhecido e se for errado, não poderá ser compreendido sem ajuda.


O que os filhos sabem senão o que os pais ensinam? Estou escrevendo sobre os filhos com uma família e não os que tem que aprender nas ruas por não ter outra opção.





  • A situação de reclamar e não explicar o motivo:

Quando a criança ainda é bastante nova, os pais devem impor limites, dizer não ou colocar de castigo. As crianças pequenas, de até 3 anos, não fazem associações e não sabem discernir, então basta o pai educar e não explicar toda a situação.

Quando a criança começa a formar seus pensamentos e conhecer o mundo ao seu redor, já cabe aos pais dizer "não" diante de uma atitude errada dos filhos e explicar o porque dessa advertência. Quando os pais colocarem seus filhos de castigo, devem explicar porque estão fazendo isso, mostrar onde a criança errou e como ser educada ou correta.

E o mesmo acontece quando essa criança cresce e até quando se torna adolescente. O dialogo tem que ser constante desde sempre. Se os filhos erraram, os pais não devem gritar, perder a paciência, se irar ou até mesmo bater nos filhos. Isso irá causar angústia e até uma má-formação nos seus filhos que não desenvolveram a capacidade de analisar situações.

Entendo que em um momento de decepção a emoção acaba sendo descontrolada, mas deve-se proteger a emoção, e depois de uns trinta segundos  talvez ou quando estiver mais calmo, fazer a advertência e explicar aos filhos porque aquilo está errado, quais as consequências e como seria o correto. Ou então até complementar com isso um acordo entre ambos.

São diversas situações, mas os pais devem sempre buscar conversar e entender as causas e não as reações exteriores.


  • O debate de ideias entre pais e filhos:

Muitos pais se ofendem quando são contrariados, acham que é uma falta de respeito e um confronto com sua autoridade. Um pai não pode mandar em um filho apenas “se aproveitando” da sua autoridade ou quando deseja uns minutos de descanso.

Pais e filhos devem ser melhores amigos, terem confiança um no outro. E essa confiança se esvai a medida que os pais enchem os filhos de defeitos e ideias negativas. Como pode um pai julgar sem conhecer as causas, desqualificar os filhos e depois reclamar porque os filhos se afastaram e não conversam mais dentro de casa?


Como os pais podem exigir uma atenção que não deram? Um carinho que não foi mostrado? Entende-se que muitos pais tem preocupação e amor pelos filhos, mas a vida de uma pessoa precisa ser cheia de gentileza, carinho e elogios. Se os pais tem preocupação e amor, eles precisam demonstrar, isso não deve só ficar no pensamento deles, porque é muito difícil para um filho pensar: Ele age me xingando, mas eu entendo que é o jeito dele e a raiva dele é por causa da preocupação.


Quando os pais pedem desculpas por gritarem, se irarem ou por qualquer atitude errada que sem querer ou não cometeram, eles não diminuem sua autoridade. Com isso os filhos aprendem a pedirem desculpas, aprendem a reconhecer seus erros e acabam admirando e se aproximando dos seus pais.

Como um pai que não reconhece seus erros quer exigir que os filhos reconheçam os deles? Onde eles irão aprender isso? Por mais que os pais falem que os filhos devem agir de tal maneira, eles devem lembrar que as crianças adquirem o comportamento das pessoas mais próximas, então por mais que se eduque com palavras, se os gestos e as atitudes não condizem com o que é dito, as palavras não fazem efeito, porque como eu disse: os filhos repetem as atitudes dos pais.


  • Proibir não educa

O título já diz, proibir só vai ocultar o errado. Qualquer pessoa pode descobrir “esse errado” ao longo da vida e ao se deparar com tal situação não terá o conhecimento para talvez se afastar ou saber como lidar.
Quando se proíbe algo, pode acontecer de despertar a curiosidade, mas também não forma o pensamento da pessoa. Sabe-se que aquilo é errado, mas não se sabe o porque, as causas, as consequências, nem como é o correto ou como concertar o erro.

O que deve se fazer é permitir e observar e acompanhar para alertar o certo e o errado, as consequências e causas. Porque um não sem explicação não pode ser entendido e cumprido.

Um exemplo: a internet. 
Proibir os filhos de usar a internet não é bom. Por mais que pareça ilógico, o correto é permitir.

O que fazer? 
Primeiramente o dialogo. Conversar com o filho sobre como usar, que sites visitar e que sites não visitar, alertar para não clicar em propagandas e em tudo o que vê, não acreditar em tudo o que está escrito, não falar com estranhos e explicar o mal que isso pode ocasionar. E o mais importante! Transmitir confiança e oferecer ajuda!

Os pai devem transmitir confiança para os seus filhos para que se algo acontecer, eles não sentirem
medo de contar e acabar escondendo. Os pais podem dizer que se algo estranho acontecer, que os filhos podem contar com eles, contar os problemas que eles não vão reclamar sem motivos, eles irão tentar entender e junto com os filhos irão resolver os problemas juntos. Talvez até perguntar: e então, posso confiar em você?


Nos primeiros dias, os pais devem observar e monitorar, com o passar do tempo quando os pais verem que os filhos estão indo bem, podem se sentir mais seguros mas nunca deixar de perguntar se há algum problema quando notar algo de diferente, e não apenas perguntar, passar confiança com algo como: olha, vamos conversar um pouco? Se você não está se sentindo bem agora, você quer que eu volte outra hora? Eu volto, mas não esqueça que vamos conversar. Pode confiar em mim que eu não vou te julgar, eu vou te entender e te ajudar.

É claro que as vezes os pais precisam saber os momentos de serem rígidos e serem compreensivos.

O mesmo sobre amizades, os pais devem instruir os filhos e sempre acompanhar, sempre conversar e perguntar quem é a pessoa, para onde está saindo, com quem, pedir para deixar os números dos amigos (e explicar que é para o caso de acontecer algo saber com quem está e para quem informar), saber o nome dos amigos, e sempre mostrar interesse pelos assuntos dos filhos. Sempre instigar o dialogo.

Entendo que como pai é bastante complicado. Vamos dizer que o filho tem um colega fumante, o pai naturalmente irá ficar bastante preocupado, mas deve conversar com o filho, falar para ele não se influenciar, até falar para andar menos com a pessoa se necessário.

Outro dia, vi um exemplo em uma propaganda na televisão: Um filho usuário de drogas, tinha usado em casa e no momento a mãe chegou. A mãe começou a gritar com o filho e que até falar coisas horríveis para ele. Isso só piora a situação, é muito difícil fazer um filho despertar  disso com tantas criticas na sua cabeça, com tantas coisas que o deprimam. Na propaganda, mostrava esse lado e logo depois um lado diferente da situação: A mãe chegou e o filho falou: eu não consigo. A mãe abraçou ele e disse: Você consegue, nós vamos sair dessa juntos.

Enfim, essas são algumas das minhas opiniões sobre esse relacionamento familiar.



  • As dicas são: 

Sempre ouvir, nunca responder de imediato (para não falar o que não quer nos momentos de raiva), conversar bastante (se caso acabou se esquecendo e não fez isso na infância, na adolescência será difícil, mas não impossível, é só tentar bastante, quantas vezes for preciso), compreender as causas e não a reação exterior, saber o momento de ser exigente e o momento de ser compreensível, passar confiança para os filhos se abrirem com os pais, mostrar suas emoções, não ter vergonha de pedir desculpas. Mas também não permitir tudo (por exemplo, se o filho desobedecer e o pai conversar uma vez e na segunda o filho desobedecer de novo, dar um pequeno castigo, deixar sem televisão, sem celular por um tempo...). Sempre buscar soluções ou acordos, se de um jeito não funcionar, buscar outros, mas sempre sem violência e sem palavras negativas que possam corromper a personalidade do filhos.


Filhos que repetem os gestos dos pais não foram estimulados a debaterem e formar seus próprios pensamentos, são repetidores de ideias certas ou erradas. Até as ideias erradas são saudáveis para descobrir as corretas.



  • Referências

Alguns trechos do livro O Código da Inteligência – Augusto Cury:


“Jamais exigir o que os outros não têm para dar. Exigir de um filho ou aluno que reconheça seus erros e sejam sóbrios no exato momento em que erram é uma afronta. Exigir que nosso cônjugue, parceiro(a) ou namorado(a) seja coerente durante uma crise de ansiedade é um desrespeito. Cobrar dos funcionários lucidez e reflexão no exato momento em que tropeçam ou falham é uma injustiça. Nesses momentos, tais pessoas estão presas pelas janelas killer, bloquearam milhares de outras janelas, não tem portanto, condições de pensar, analisar, refletir, enfim de pensar por múltiplos ângulos.”

“Há pais que nunca elogiaram seus filhos, mas querem receber elogios deles. Raramente os beijam, mas querem receber afeto deles. Raramente foram compreensivos com os desacertos deles, mas exigem deles uma mente compreensiva. Querem o retorno do que não ensinaram.
Um pai carismático procura instigar, brincar, viver aventuras com seus filhos. Em alguns momentos é um palhaço, em outros um mestre; em alguns momentos é paciente, em outros é exigente. Sabe que há momentos para disciplinar e cobrar e outros para se doar e abraçar.”


Lily.

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